domingo, 30 de maio de 2010

No dia 01 de junho Cristina Macedo estará apresentando a 17ª Edição- Sarau Literário Zona Sul


Anos-luz de solidão
                           Amauri Baldine

Os pequenos lumes que daqui vejo
São grandes luzeiros na amplidão escura.
Inertes, rebrilham açoitando as trevas;
Fulguram singelas centelhas de ternura.

Os cintilantes lumes que daqui vejo
Impõem seu brilho na imensa escuridão.
Despontam imponentes; hostes no firmamento,
Mesmo havendo entre eles anos-luz de solidão.

Os distantes lumes que daqui vejo
Compõem poemas de suave reflexão.
Segredam em silêncio a quem sabe lê-los,
Que há fagulhas no recôndito do coração.

Os lumes que daqui vejo,
A anos-luz de solidão.
LEI OBRIGA ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS A TEREM BIBLIOTECA

 O Diário Oficial da União publicou em 25 de maio (terça-feira) a lei  que obriga todas as instituições públicas e privadas de ensino do país a terem uma biblioteca.

A Lei 1.244/2010 determina que toda a escola tenha um acervo de livros nas bibliotecas de pelo menos um título por aluno matriculado. Cabe à instituição adaptar o acervo conforme as necessidades, promovendo a divulgação, preservação e o funcionamento das bibliotecas escolares.

As escolas terão até dez anos para instalar os espaços destinados aos livros, material videográfico, documentos para consulta, pesquisa e leitura.

Fonte: Agência Brasil

sábado, 29 de maio de 2010


"Há em você alguma coisa de mim. Alguma coisa que eu vejo e me acalma. Como se eu pudesse deitar de novo no lugar de onde vim, pois só você sabe que lugar é esse. Então você me entende... E eu não me entendo tanto quanto entendo de ti. Talvez isso seja amor. Talvez não. Seja lá o que for é incondicional."
                                                   Fernanda Yong

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sarau D' Aldeia promovido pela Fundarc

  participação no Sarau


Num ambiente gostoso e intimista, o Sarau D' Aldeia mostrou a sua cara na Biblioteca Pública Monteiro Lobato, com a marca registrada do já consagrado e tradicional  Sarau da Fundação Municipal de Arte e Cultura de Gravataí, através da coordenação de minha ex-colega Emilena Denicol, mas amiga de sempre, desenvolveu-se o clima literário com o tema Brasil - país do futebol? Por ser temático, os participantes leram e declamaram textos de autores como o Luis Fernando Veríssimo e outros, assim como seus textos próprios, dos  poetas locais e convidados.
Ao ver as velas derretendo nas garrafas não pude deixar de me reportar à noite de uma terça-feira em que eu e a Emilena nos dirigimos à Porto e assistimos o Sarau Elétrico,  com o apoio e incentivo da Profª Rosinha, criamos o Sarau no Museu, na época com a intenção de direcionar o olhar para o Museu da cidade, que estava em sede provisória e precisava ser reformado.
Hoje ele está reformado, o Museu ainda continua pequeno, mas o Sarau precisou de mais espaço e tornou-se o Sarau D'Aldeia.
Poucos são os que se envolvem com a intimidade da literatura e param as suas funções rotineiras, talvez esqueçam que a cultura alimenta a alma. Enfim, o Sarau D'Aldeia estava chiquetérrimo, com as velas e as suas matizadas nuances, ao som da apresentação musical com Drica Carvalho Trio e seu selecionado repertório. Muito bom mesmo. Parabéns ao pessoal da Fundarc pela organização e a preocupação de manter acesa a chama literária em Gravataí.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Adélia Prado

Adélia Prado











Com licença poética










Quando nasci um anjo esbelto,


desses que tocam trombeta, anunciou:


vai carregar bandeira.


Cargo muito pesado pra mulher,


esta espécie ainda envergonhada.


Aceito os subterfúgios que me cabem,


sem precisar mentir.


Não sou feia que não possa casar,


acho o Rio de Janeiro uma beleza e


ora sim, ora não, creio em parto sem dor.


Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.


Inauguro linhagens, fundo reinos


— dor não é amargura.


Minha tristeza não tem pedigree,


já a minha vontade de alegria,


sua raiz vai ao meu mil avô.


Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.


Mulher é desdobrável. Eu sou.




http://www.releituras.com.br/

 















domingo, 23 de maio de 2010

ACADEMIA ITAPEMENSE DE LETRAS CONCURSO LITERÁRIO O PENSADOR IV

Divulgação do Concurso

ACADEMIA ITAPEMENSE DE LETRAS CONCURSO LITERÁRIO O PENSADOR IV - Poeta Lindolf BellConto, Crônica e Poesia Regulamento do Concurso Poderão participar do concurso os interessados residentes em todo o território nacional, divididos nos seguintes grupos etários: Infanto-juvenil: dos 10 aos 13 anos, inclusive; Juvenil: até os 17 anos, inclusive; Adulto: a partir dos 18 anos. 1 Para participar do Concurso os candidatos deverão: 1.1 Enviar duas vias das produções, datilografadas ou digitadas, na língua Portuguesa – identificadas com título, grupo etário, categoria pertencente (conto, crônica ou poesia) e pseudônimo. 1.2 Os textos serão enviados em envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do concurso e a categoria escolhida (conto, crônica ou poesia). Dentro deste envelope os concorrentes enviarão um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa com o título do trabalho e o pseudônimo utilizado. O envelope menor conterá uma folha com os seguintes dados: nome completo do participante e o pseudônimo utilizado, título do trabalho, gênero literário, data de nascimento, endereço completo, e-mail (se tiver), telefone para contato e breve nota biográfica. 1.3 As produções serão encaminhadas à Academia Itapemense de Letras, no seguinte endereço: Livraria Café & Leitura, Avenida Nereu Ramos, 4062, sala 02, Meia Praia, Itapema, Santa Catarina, CEP 88220-000. Para efeito do cumprimento do prazo, nas produções encaminhadas via Correios, será considerada a data da postagem. Não serão aceitas produções encaminhadas via internet. 1.4 As inscrições estarão abertas de 02 de maio de 2010, até 30 de junho de 2009. 1.5 Os originais devem ser inéditos, sendo que a divulgação pública dos mesmos, em todo ou em parte, eliminará o candidato. 1.6 O candidato poderá inscrever somente uma produção em cada categoria. 1.7 As vias encaminhadas não serão devolvidas. 1.8 Os resultados dos trabalhos de avaliação serão divulgados até 15 de agosto de 2010.2 TEMA 2.1 O tema de todas as produções será livre. 3 CATEGORIAS 3.1 Conto: máximo de 5 (cinco) folhas de papel A4, datilografadas ou digitadas e impressas, em fonte Arial, Corpo 12 (doze), com espaçamento duplo. 3.2 Crônica: máximo de 2 (duas) folhas de papel A4, datilografadas ou digitadas e impressas, em fonte Arial Corpo 12 (doze), com espaçamento duplo. 3.3 Poesia: máximo de 30 (trinta) linhas, em folha de papel A4 datilografada ou digitada e impressa. 4 PREMIAÇÃO 4.1 Os vencedores serão comunicados pela coordenação do Concurso, através de telefonema e/ou correspondência. 4.2 Serão premiados os 3 (três) primeiros lugares de cada categoria, que receberão, respectivamente, troféu e certificado. 4.3 Os prêmios serão entregues em Sessão Festiva da Academia Itapemense de Letras, a realizar-se em 18 setembro do corrente ano. 5 DISPOSIÇÕES FINAIS 5.1 O participante que transgredir ou tentar burlar as condições previstas neste Regulamento terá sua inscrição cancelada. Os casos omissos serão resolvidos pela Academia Itapemense de Letras. 5.2 A inscrição do participante no concurso implica na aceitação total das condições deste Regulamento. Os classificados, em todas as categorias, autorizam a Academia Itapemense de Letras, em qualquer evento, a expor, divulgar, distribuir e/ou de qualquer forma exibir os trabalhos premiados, nos termos do artigo 29 da Lei 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais). 5.3 É proibida a participação no Concurso de membros da Academia Itapemense de Letras, bem como de seus familiares até o segundo grau. 5.4 As decisões da Comissão Julgadora são irreversíveis, não cabendo recurso contra as decisões referentes às produções selecionadas. 5.5 A Comissão Julgadora se reserva o direito de não atribuir premiações, e de conferir Menções Honrosas, se entender que as produções sob referência não apresentarem, em relação aos quesitos exigidos, o mínimo necessário para tais apreciações.


FICHA DE INSCRIÇÃO Nome: ........................................................................................................ Pseudônimo: .............................................................................................. Título do Trabalho: ..................................................................................... Gênero: ( ) Conto ( ) Crônica ( ) Poesia Categoria: ( ) Infanto-juvenil ( ) Juvenil ( ) Adulto Nascimento: ......./......../........ Endereço: .................................................................................................. ................................................................................................................... ................................................................................................................... Telefone: ................................................................................................... E-mail: ....................................................................................................... Biografia: ................................................................................................... ................................................................................................................... ................................................................................................................... ................................................................................................................... ................................................................................................................... ................................................................................................................... ................................................................................................................... ................................................................................................................... (A presente Ficha de Inscrição deve ser destacada e inserida no envelope pequeno, lacrado, contendo, em sua face externa, apenas o Pseudônimo e o título da obra)

Cartão Poema - Lançamento

CONVITE


Sessão de Autógrafo de ESTER POLLI

(convidada da Associação Canoense de Escritores – ACE)



Data: 11/06 às 16 horas

LOCAL: Auditório do Calçadão



26ª FEIRA DO LIVRO DE CANOAS/RS

(de 5 a 20 de junho de 2010)

Realização:Secretaria de Cultura de Canoas/RS



AS VENDAS SERÃO REALIZADAS NO ESTANDE DA ACE

(comissão p/ACE - 30% sobre as VENDAS)



http://www.escritorescanoenses.org.br









Ester Polli nasceu em Canoas, Rio Grande do Sul. Professora Municipal de Gravataí, cidade que reside desde os 6 anos de idade.

Trabalhou durante anos no ramo doTurismo e da Cultura (Fundarc- Fundação de Arte e Cultura).

Seu primeiro Cartão Poema foi lançado com a poesia Universo em mim e atualmente está lançando o seu nono cartão intitulado Mundo Cão.

http://esterpolli.blogspot.com/ e-mail: ester.polli@gmail.com

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Museu é pequeno a Aldeia é maior.


Recebi da amiga Emilena Denicol o convite para o Sarau da Aldeia e externo para vocês também. O tema envolve o futebol, assunto em evidência e cá, já estou visualizando os meios fios da cidade, pintadinhos de verde e amarelo.

Momentos do Pré-Lançamento do Danilo, sua mochila e seus amigos da Neida

Estive presente no Pré-Lançamento do livro da escritora Neida Rocha de Canoas. O evento aconteceu nas dependências da Biblioteca Pública de Canoas com a presença de escitores locais e professores da rede de ensino público. A autora explicou como foi a criação de sua obra e o processo  das edições. do seu livro. Imagens recebidas da Neida e confira mais no seus site http://www.neidarocha.com.br/

Mais um pouco de Cecília

"Tenho fases como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha."
Cecília Meireles

A Caminhada Noturna foi cancelada

Pois é gente, não aconteceu a Caminhada Noturna e fui até lá de mochilinha, tri hapy e ao chegar lá,  o recepcionista do Cultural me informou que a Caminhada foi cancelada, por estar desprotegida, já que a guarda municipal não iria acompanhar o evento.Hum... nos três pontinhos tive intervalos desejosos de muitos  aiiiiiiiissss e uiiiiiiiiiisssss, mas que nada (uma ova), balbuciei um
-que pena, então tchau né - e desci a ladeira.
Na curva da ladeira encontrei uma casa de material elétrico (adoro as luzinhas destas casas), como tem coisa nova e  interessante. Bisbilhotei as coisas rapidinho e continuei na ladeira da Borges, com as pessoas passando feito papa léguas, e eu junto.
Atravessei o mercado ouvindo os "pode chegar, freguesa" das bancas locais,  aroma especial tem o lugar e quem é acostumado a comprar lá, deve conhecer as boas especiarias (lembrei de minha mãe)de cada uma delas. Já estou no caminho certo então.
Andando e lembrando o que ouvi na semana "Porto Alegre é um lugar cinzento e perigoso", ainda bem que eu não acho.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Caminhada Noturna em Porto Alegre



2ª edição de 2010 da Caminhada Noturna de Porto Alegre será no dia 19 de Maio


O passeio está marcado para as 18h30min, com saída do Instituto Cultural rumo à Câmara Municipal de Porto Alegre.
Iniciado no ano passado, o projeto “Caminhada Noturna pelo Centro Histórico de Porto Alegre” é uma realização do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano e da Câmera Viajante – Escola de Fotografia, em conjunto com a Associação do Centro Histórico, a Associação Rio-Grandense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, a Câmara Rio-Grandense do Livro, a Casa de Cultura Mário Quintana, o Conselho Internacional Monumentos e Sítios, o Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo, o Gabinete do Vereador Adeli Sell, o Instituto de Arquitetos do RS, o Memorial do Ministério Público, o Memorial do Judiciário do RS, o Museu Júlio de Castilhos, o Solar dos Câmaras de Porto Alegre e o Projeto Monumenta.




Nesse mês de maio, a Caminhada Noturna ocorrerá no dia 19, às 18h30min. O roteiro começa na sede do Instituto Cultural (Rua Riachuelo, 1257) e passará pela rua General Câmara, seguindo até a avenida Mauá, na “Porta da Cidade”. Após passar pelo famoso muro da Mauá e pelos Armazéns do Cais do Porto, os participantes chegarão à avenida João Goulart, na Usina do Gasômetro, fazendo o contorno da curva à esquerda para chegar ao destino final – onde se conhecerá um pouco mais da história da Câmara Municipal de Porto Alegre. Representantes das instituições parceiras serão os guias do passeio.

domingo, 16 de maio de 2010

Meditação no presépio




Cecília Meireles





Quando São Francisco de Assis inventou o primeiro presépio, e falou das coisas do céu numa gruta, dizem que, ao ajoelhar-se, desceu-lhe aos braços estendidos um Menino todo de luz. O Santo Poeta colocara ali apenas umas poucas imagens: as da Sagrada Família, a do irmão jumento e a do irmão boi. O áspero cenário de pedra tinha a nudez franca da pobreza, a rispidez dos desertos do mundo, o recorte bravio dos lugares de sofrimento. Aí, o Menino de luz pode descer, porque ele vinha para ensinar caminhos difíceis, e restituir às coisas naturais da terra o sentido da sua presença na ordem universal.



O amor humano é um perigoso jogo. Por amor, os homens foram construindo presépios ao longo do mundo, e já não lhes bastava a pedra desguarnecida: queriam recobri-la do ornamento da sua devoção. Trouxeram folhagens e flores, dispuseram frutos e pássaros, desceram o céu, num pálio de seda azul, colheram as estrelas, dos ramos que se alongam na noite. Caçaram a lua, no meio da sua viagem, e pescaram o sol, redondo peixe de nadadeiras flamejantes.



Não lhes bastaram, porém, ainda, esse convite e essa conquista, no reino dos adornos da natureza. Convocaram os habitantes do mundo para uma adoração geral. Trouxeram os pastores, que deviam ser os vizinhos mais próximos da feliz manjedoura; trouxeram os lavradores e os artífices, de acordo com as imaginárias relações da família do recém-nascido.



Mas era preciso não esquecer os Profetas, anunciadores do acontecimento, e das ruas da Bíblia os fizeram descer com suas barbas, seus cajados, suas visões e ainda cheios de voz.



Os Reis vieram por si, de olhos postos na Estrela; e como os Reis traziam os camelos; e os pastores, carneiros, também os Profetas arrastaram leões, e cabras sem defeito — e depois, em muita confusão, toda besta que remói, umas de unha fendida, outras não; e até os animais que caminham sobre o peito e os que têm muitos pés e ainda assim se arrastam pelo chão.



E, puxados uns pelos outros, vieram o cavalo e a mula, o cão e o elefante, o macaco, a hiena, o chacal e o leopardo, e o imundo crocodilo, com a cordilheira dos seus dentes, e a lagosta abominável, sem escama nem barbatana.



Foi talvez a lagosta que açulou os apetites, e os nobres italianos, com aquela pompa que o Renascimento lhes incutiu, trouxeram para os presépios a escamosa alcachofra e o labiado repolho, e cachos de uvas e salsichas, e o queijo e a rosca e o vinho — tudo que o amor ama e, por amor, quer repartir.



E os Profetas trouxeram as Sibilas, e as Sibilas as Cassandras e as Medéias e as Circes, e quem sabe até onde o humano mar se iria aproximando de onda em onda, nessa aglomeração sucessiva para adorar o Menino e ornamentar o Presépio. Homero traria seus argonautas; o rei Artur, seus paladinos; Marco Polo, seus mercadores, Gengis-Khan seus guerreiros — e o negro, o chim, o índio emplumado e o friorento esquimó se acomodariam todos sem dificuldade no recinto mágico presidido por um pobre Menino celestial.



E tão bem se sentiriam que, sem desejo de regresso, iriam buscar suas casas e suas montanhas, seus rios e seus moinhos, seus arados e seus fornos, suas embarcações e suas tendas, e ali se poriam a trabalhar, ao som de doces cânticos ali mesmo inventados, e ali bailariam, com gaitas e sanfonas, adufes e harpas, ocarinas e violas e tudo quanto, com metal, corda ou sopro, é capaz de produzir um som de feitura harmoniosa, comparável ao gorjeio das aves, ao suspiro das águas, ao adejar do vento e à voz humana quando quer ser mais que linguagem.



E o sol e a lua e as estrelas ainda pareceram apagados, para tão ambiciosa festa, e as mulheres e as moças puseram-se a dançar com círios acesos nas mãos, e tudo foi recamado de ouro em pó, e cada qual começou a escolher trajos mais cintilantes, de cetins mais lustrosos, com lavores mais ricos, e do mar e da terra se desentranharam todas as coisas que brilham e deslumbram, e não houve príncipe nem sacerdote nem mercador nem escravo que não gastasse os olhos e as pontas dos dedos, cosendo em seus estofos as gemas que os tornassem mais resplandecentes.



E nesse esplendor de fitas e rendas, de colares e anéis, com os animais de chifres dourados, de testa empenachada, de manto lavrado e guarnições de fina cinzelura, até se recordou que o Menino não podia estar ali despido como simples deus humanado — e teceram-lhe camisinhas e envolveram-no em brancas sedas, e para a tímida Virgem e o submisso carpinteiro trouxeram finas roupagens esmaltadas de cintos e fivelas, com barras de arabescos e densas pregas faustosas.



E as belas canções subiam como, nas hastes gladioladas, abrem os lírios verticalmente, de salto em salto.



E houve assim uma existência de amor, e alguém pensaria estar o mundo apaziguado, e a família terrena compreendida e satisfeita, trabalhando e cantando, bailando e dormindo tendo em redor de si a parede rústica do Presépio.



Mas, na verdade, a parede do Presépio deixara de existir. O que havia eram muitas paredes, de palácios e de mosteiros, de chácaras e de cozinhas de quartéis e de fábricas, de lojas e de manicômios.



Porque essa humanidade se arruinou e adoeceu; esqueceu-se que a oferenda não lhe pertencia, e estendeu a mão para a alcachofra e para a lagosta, para o cavalo do guerreiro e a coroa do suserano, e o que tocava cítara quis brandir espada, e o que varria o estábulo apoderou-se da cítara.



De modo que se chegou a ver o legionário romano, de agulha e dedal, bordando flores sobre cetim, e as dríades empunhando lanças, e os javalis sentados em cadeiras de ouro, abanados por leques de plumas.



Ninguém mais podia amar a sua oferta, mas a do seu vizinho; e já não amava com amor de dar, mas com amor de possuir. E não houve mais quem se despojasse, mas só quem apreendesse.



Notou-se que o sol e a lua e as estrelas não tinham mais sua substância própria: eram de ouro e de gemas, eram pintados e incrustados; não se moviam nem aqueciam mais.



Notou-se que os cantores tinham ficado melancólicos e a dança não se levantava em asas tênues: arrastava caudas fúnebres, patas desconfiadas, pontas de espadas surdas.



E aquilo que foi um Presépio era um mundo de contradições, sem equilíbrio nem sentido. Os Profetas eram

alucinados — e as Sibilas, dementes; os Reis, uns conquistadores mesquinhos; os guerreiros, uns assassinos convictos.



Nuvens de seda e pó de danças toldaram a íntima, pequena cena de um nascimento sobrenatural. Tudo tinha ficado mais importante que o Menino chegado para ensinar o amor. Tudo tinha formado sucessivos planos, anteriores uns aos outros, sobrepostos uns aos outros, escondendo-se uns aos outros, num amontoado de riqueza, ambição, prepotência, vaidade, cobiça, rapina, mentira, traição e ódio.



E tudo isso foi desabando por si mesmo, porque estava armado sem fundamento; e viram-se os Profetas fugitivos, arrastando os animais santificados e os imundos; e as Sibilas recolhiam seus oráculos perdidos, e as Medéias e as Circes enrolaram seus velhos feitiços; e os que tinham vindo por engano choraram pelas palavras que tinham entendido; e os que tinham vindo por verdadeiro amor deixaram pender a cabeça, e foram empurrados na onda devastadora, porque o amor é distraído e desatento de si, sem agressão nem defesa, e fica sempre esmagado, no torvelinho dos atropelos.



Mas quando tudo ruir completamente, — porque sempre chegam novos forasteiros ao Presépio, e cada um se diz o único verídico, o mais sincero e o mais poderoso, o mais rico e o mais fiel — quando tudo ruir completamente, o Menino continuará na sua gruta, com a sua família humilde, o irmão boi e o irmão jumento, para recomeçarem a vida, na simplicidade humana das coisas naturais e universais.



E se outro São Francisco se ajoelhar na gruta rústica, o Menino virá todo em luz aos seus braços, porque só o Santo Poeta entendia dessa irmandade geral do céu e da terra, e da graça de todos os despojamentos, e da alegria de não precisar ter, pela contemplação de todos os enganos, e da leveza da vida em expressão absoluta.



(Rio de Janeiro, revista “Rio”, Dezembro de 1946)







Texto extraído do livro “Cecília Meireles - Obra em Prosa - Vol. 1”, Ed. Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 192.


http://www.releituras.com/

Fonte do Site

sábado, 15 de maio de 2010

Oi gente, a correria é tanta, que o tempo fica curtinho na postagem do blog, mas registro o convite da escritora Neida Rocha, agora na terça- feira. Ela desenvolve um projeto muito legal com um ótimo retorno.



Neida Rocha (Escritora e Poetisa)CONVITE


Pré-lançamento do livro infantil

DANILO, SUA MOCHILA E SEUS AMIGOS



(Espanhol/Português)

A edição do livro foi possível graças à Lei Rouanet

e sua publicação total (2.200 exemplares)

será distribuída nas escolas públicas do município de Canoas.

(CADA ESCOLA RECEBERÁ 20 EXEMPLARES)



DATA: 18/05/2010 – ÀS 15 HORAS

AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL

CANOAS/RS

sábado, 8 de maio de 2010

                                       No penhoar da Mamãe

Tantos anos se passaram e ainda hoje, cerro meus olhos e posso ver o seu sorriso franco e aberto. Meus vestidos eram impecáveis, meu cabelo com tranças, laços e fitas, assim minha infância foi desenhada com a sua firme mão.  Posso ainda sentir o aroma do seu perfume, o cheiro gostoso do seu pão, do seu bolo, dos seus temperos e até o cheiro dos meus quentinhos pijama, mais as camisolas de pelúcia, envoltos com os seus conselhos. Como eu estudava pela manhã, me levava café na cama e no inverno, passava meu uniforme para sair aquecida. Assim aprendi, que o despertar é gostoso e o frio sempre pode ser aquecido. Nos meus partos não a tinha mais por perto, mas a sua lembrança, me foi forte presença. Sua conduta e honra me guiaram nas estradas do bem, de uma maneira um tanto convencional, fazendo-me enxovais dos quais muito usei e foi com muito custo a decisão do desvencilhar.  Mas também nesta hora, lá estava minha mãe interna, educando as minhas filhas numa já  descasada vida, com um estribilho forte do vou conseguir e não é que consegui. Mãe é coisa forte pra cacete e sob o seu além olhar, estou aprendendo a responder e a  ser compreendida, na famosa pergunta de Freud "o que quer uma mulher": confiança e jogo aberto.

               Ester Polli

Amanhececer em casa

                                                            Imagem por Fernanda Polli

domingo, 2 de maio de 2010

Seresta no Casarão

A Seresta no Casarão é um evento realizado através da Fundação Municipal de Arte e Cultura em Gravataí.  É realizado num casarão antigo, geograficamente posicionado num sítio com árvores centenárias, lugar encantador, aonde hoje encontra-se a Fundação Municipal do Meio Ambiente. Na época em que estive Fundarc, o evento era realizado sempre na última sexta-feira do mês. Houve uma pausa, mas  agora os organizadores, estão reativando o evento e  na quinta-feira a Seresta voltou, para a alegria dos seresteiros. É um ponto de encontro dos amigos, que prestigiam a boa música regada a vinho e salgadinhos, oferecidos pelos apoiadores culturais. Quando Fundarc estive na busca de patrocinadores para que pudéssemos realizar a Seresta, o Sarau do Museu e dentre os seus apoiadores, destaco a Imobiliária Pessato, cujo Sr. Romeu Pessato sempre nos ajudou, inclusive o Casarão foi doado há muitos anos passados pelo empresário. A empresa Jackwall, com o seu Diretor o Sr. Francisco, também contribuía culturalmente como apoiadora , assim como no Sarau do Museu também, mantendo o evento por longa data. Parcerias com a Ulbra  e comércio local também eram realizadas. Parabenizo o pessoal das duas Fundações, a da Cultura e a do Meio Ambiente pela retomada dos eventos. E fiquei sabendo, que vem aí a construção de um Centro Cultural no Quiosque, na realidade uma boa reforma nas instalações, que lá já existem, numa praça cercada pelo verde.
Ester Polli